EDUCAÇÃO E TRÂNSITO
O trânsito é uma Relação que se dá nas vias públicas entre: o Homem, o animal e o veículo. Uma Relação complexa e perigosa, que tem ceifado vidas e atravancado o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil. E contribuído também, conforme estatística do DENATRAN e do Ministério da Saúde, a dor das milhares de famílias, o custo Brasil com os gastos cerca de 21 bilhões de reais/ano com atendimento hospitalar às vítimas do trânsito, as perdas da potencial mão de obra dos que são retirados momentaneamente da atividade produtora , os que inevitavelmente sofrem as seqüelas que os tornam invalidados e os precoces obtos, considerando que, na maioria dos envolvidos
num acidente, estão na faixa etária economicamente ativa que deixam de produzir. Enquanto a sociedade tem que arcar com as pensões vitalícias, das viúvas e dos órfãos. Lembrando que em muitos dos acidentes de trânsito o bem material não foi usado a metade de sua vida útil de produção que foi projetada.
Porém, o Homem é o único envolvido na relação de trânsito que tem o
poder de criar, modificar e dominar a complexidade ou não do inicio ao fim da estabelecida Relação de Trânsito. Enquanto o veículo é uma máquina, arquitetado e criado pelo Homem como ferramenta de facilitação para atender as suas necessidades e seu desenvolvimento. Os animais irracionais são seres
que tem vida, mas dependem da inteligência do Homem para que tenham uma participação harmônica no uso do espaço físico onde se dá a Relação de Trânsito. Já o Espaço Físico tem suas intempéries as quais o Homem observa e previne, mas não pode intervir, as condições adversas do espaço físico só depende da vontade do Homem para serem administradas. Dessa forma, não nos restam dúvidas quanto a total responsabilidade do Homem na organização, administração e controle do uso do Espaço Físico sobre os demais participantes da Relação Trânsito promovendo de fato a Segurança no Trânsito. Saber qual dos três elementos envolvidos na Relação de Trânsito e a responsabilidade sobre a segurança dos demais, pode não ser difícil para
muitos dos usuários do trânsito. Porém, entender da vital necessidade de desenvolver dentro das políticas públicas, um mega projeto pedagógico-sócioeconômico- educativo de formação seriada e continuada para de fato praticamos um comportamento adequado no uso dos espaços físicos com a disciplina voltada para a segurança de todos os envolvidos, está sendo uma
difícil tarefa para os Gestores do SNT- Sistema Nacional de Trânsito no Brasil.
Recomeçar
Percebemos avanços nas ações administrativas em prol da segurança no trânsito, mas a realidade está muito aquém do que determina o artigo 74 da Lei 9 503/97, a educação de trânsito da creche ao terceiro grau que se colocado em prática desde, janeiro de 1998, os alunos que estão cursando o ensino fundamental e os habilitados nos últimos nove anos, estariam praticando e multiplicando os conhecimentos apreendidos, aí teríamos um significativo avanço. O desvio da vontade política tem várias conotações, a principal delas é o critério adotado na escolha e nomeação dos Gestores dos cargos comissionados, as Autoridades de Trânsito, aqueles que emitem as ordens aos seus Agentes, pessoas que tem , conduta ilibada e formação de
grande valia para o serviço público, em outras atividades, porém, em sua maioria totalmente despreparadas para gerir o trânsito, a exemplo: nas cidades brasileiras onde o trânsito é municipalizado, geralmente quem comanda o trânsito é um membro da Polícia Militar, entende os governantes que o preparo do militar é o bastante para gerenciar uma relação civil, em tela a relação de Trânsito. Na verdade a força de mando numa abordagem civil só atemorizam abordados: os usuários das vias, o principal aprendizado destes gestores é o uso do Capítulo das penalidades e das medidas administrativas previstas no artigo 161 da Lei 9.503/97, o CTB. Sabemos do excelente preparo que um policial militar adquire em sua carreira e da imensurável importância
de seus conhecimentos para a sociedade, em seu posto respondendo por suas atribuições no plano de segurança pública. Sabemos também que esta prática é um antigo vício brasileiro que a sociedade organizada tem que se mobilizar, exigir e pleitear uma radical mudança. Partindo do princípio que numa relação civil requer uma abordagem extremamente civil. Não dá mais pra conviver com tamanha irresponsabilidade social, o egoísmo e a vaidade dos que detêm o poder de escolher e nomear as pessoas que vão gerenciar as ações administrativas na gestão de trânsito com o único objetivo: “moeda política” pois a maioria dos cargos são ocupados por indivíduos técnicos e leigos,
reconheço e respeito o direito da escolha e nomeação, a crítica paira nos
critérios usados na escolha de indivíduos que estão muito preocupados com a imagem política partidária, almejando um futuro cargo político ou a perpetuação no poder em detrimento do bem estar dos usuários do trânsito. Daí, o resultado castatrófico na formação dos pedestres, dos condutores, e a
ineficácia na operação e administração com responsabilidade social, que deixa muito a desejar. Nós podemos muito mais, que panfletar e promover palestras para uma dileta e privilegiada minoria, durante a semana do trânsito, ou coisa assim. O Brasil tem pressa e a carência na segurança não pode esperar, Vejamos: A Educação de Trânsito que é de fundamental importância para promover a segurança de todos os usuários, caminha na contra mão do desenvolvimento Humano, pois as ações praticadas pelos Órgãos responsáveis não atendem a grande maioria dos cidadãos, porque não é um projeto de formação, pode até servir de um paliativo mas não aproxima da real necessidade. Somos aproximadamente cento e oitenta milhões de brasileiros
destes, cinqüenta e oito milhões são condutores “habilitados”, o que
demonstra a real urgência em encontrarmos uma solução para o aprendizado e interpretação da linguagem, simples e compreendida, “o ver e fazer ser visto” na estabelecida Relação entre a minoria que dominam a linguagem e os que participam desta relação, mas estão às escuras, porque ainda não foram contemplados com o correto método do aprendizado, praticando o ver e fazer serem vistos na velocidade necessária para o entendimento entre o motorizado
e o não motorizado. Vivemos numa Guerra Urbana, onde com muito pezar assistimos a carnificina do dia a dia no trânsito. Medidas competentes e urgentes deverão ser tomadas. O trânsito é de todos, conseqüentemente a responsabilidade também. O envolvimento e a cumplicidade da Nação é o remédio da cura de tamanha desgraça que abate centenas de vidas e impede o desenvolvimento socioeconômico do País. Observamos que na conturbada e estabelecida relação, acontece a estúpida disputa: Quem vai morrer primeiro? Eu? Ou você?
Condutores e pedestres estão na arena do amontoado de ferro e no
desencontro do conhecimento e do entendimento, isto é, no campo da
interpretação/velocidade correta da linguagem estabelecida nesta relação.
O PROCESSO DE FORMAÇÃO PARA EDUCAÇÃO DE TRÂNSITO.
Estamos convencidos de que o conhecimento, além de abrir horizontes e
criar perspectivas para o indivíduo, gera investimento e produção com
qualidade e quantidade, propulsando o desenvolvimento de toda sociedade.
onde a formação do indivíduo é considerada um investimento, não devemos
concordar com a realidade formaremos Homens que vivem e deixem que o
seu outro fica vivo, os indefesos animais irracionais que fazem parte do
habitat, vivam e não sejam responsabilizados pelos erros do Homem, por fim,
o Homem, que é o criador e o modificador da ciência, para o desenvolvimento
e manutenção da vida, deixem de auto destruir o patrimônio que direto ou indiretamente ajudou a construir, os bens materiais da Nação Brasileira. Alguns ganhos de segurança têm sido conquistados pela redução das
conseqüências dos acidentes de trânsito, através da melhoria do espaço físico (as vias), somado a renovação da frota dos veículos. Em contrapartida, bem menos progresso tem sido alcançado na formação dos condutores e pedestres. A Educação de Trânsito que é de fundamental importância para a segurança de
todos os usuários do trânsito, caminha na contramão do desenvolvimento Humano, vista que as ações praticadas até o momento deixam a desejar como PROJETO de FORMAÇÃO, pois funciona muito bem como PROJETO DE INFORMAÇÃO, pode fazer mais que isto e se não fizermos pairamos na mesmice que insistimos desde 1998, esse tipo de informação é muito útil para os afortunados brasileiros que conseguiram ao menos concluir o ensino médio, uma minoria inserida na RELAÇÃO TRÂNSITO, promovendo o desajuste comportamental entre os que pouco sabe e aqueles que nada entende. Um fato constatado em nosso trabalho: A dificuldade de interpretação na comunicação entre condutor com condutor, condutor com pedestres, pedestres com condutor, e os próprios responsáveis pela Gestão. Esta é a
realidade do dia a dia na RELAÇÃO TRÂNSITO. Perguntamos para trezentas pessoas que transitam em Vitória-ES, de ambos os sexos, grau de instrução 1º , 2º e 3º graus, com idade entre 18 e 50 anos Agentes de Trânsito, Policiais Militares, Pedestres e Condutores,: Você já leu o CTB – Código de Trânsito Brasileiro? De cada dez entrevistado, oito responderam que não. Não leram o CTB.
No processo EDUCAR para o trânsito, precisamos ir além da
vontade política e das ações isoladas praticadas por um ou outro
seguimento da saciedade, que é de grande valia para informar a
sociedade. Observei que desde 1997, mais precisamente janeiro de
1998 que o cento e oitenta milhões de brasileiros tem recebido
informação demais e aprendizado de menos. Educar é uma arte
coletiva, um construir do saber com responsabilidade social,
justificando a formulação e desenvolvimento de um gigantesco
projeto didático-pedagógico de inclusão social no trânsito, uma
inclusão abrangente e democrática do conhecer, concebendo o
assimilar para aprender, com conteúdo teórico-prático, direcionado e
contínuo, FORMANDO O SABER da Relação Trânsito não apenas para o
condutor, pois no trânsito estabelece uma Relação Social envolvendo
indivíduos de zero aos cem anos. Ao começar com seu velocípede
passando pelo vendedor ambulante, o idoso, fazendo sua caminhada, a
dona de casa. Depois de formado o saber, basta mantermos
atualizados com as INFORMAÇÕES. EDUCAR é algo excepcional, que
deve ser tratado com a responsabilidade de quem pretende formar
para VIDA, vai além da coisa (espaço físico e maquina).
O CORRETO USO DO ESPAÇO FÍSICO E DA MÁQUINA
O ambiente físico e a máquina(coisa), tem que ter adequada
manutenção, o que eu e todos concordamos, mas não pode ser tratado com privilégios na aplicação de investimentos como vem acontecendo no Brasil, mesmo porque são elementos inanimados que podem serem adequados ao uso pelo Humano. No trânsito, estabelece uma Relação: Coletiva, complexa e perigosa, porque ali se dá o encontro dos que dominam o conhecimento sobre a
Legislação de Trânsito, com aqueles que não conhecem as regras e
conseqüentemente não interpretam a comunicação dos outros, e os que
insistem na rebeldia brincando de morrer e de matar, disputando na via
pública o jogo pra ver quem vai para a cadeira de rodas ou para o caixão primeiro. Desta conturbada relação surge o brutal comportamento do usuário das vias que resultará, sem dúvidas, num inevitável acidente de proporções dolorosas. Mais importante que o ambiente físico e a máquina, é o Homem apto para fazer o correto uso de ambos recursos. Não podemos acreditar que o dano da via, a chuva ou o pneu liso é responsável pela segurança do Homem,
seria assim, uma inversão da ordem. O ambiente físico e a manutenção da máquina são de responsabilidade do Homem, com toda certeza tem sua
importância no conjunto de segurança, porém isto é o óbvio. Mas quando falamos de Segurança de Trânsito, estamos inserindo: O Homem (condutor e não condutor), o espaço físico e a máquina, o que não podemos esquecer de que o usuário da via pública não se resume nos indivíduos habilitados para conduzir a máquina e os que fiscalizam o uso das vias, precisamos desenvolver projetos de formação para o usuário do trânsito em total amplitude, isto é desde zero a cem anos de idade.
Entre os fatores que contribuem com os acidentes de trânsito,
podemos citar a desobediência às Leis que normatizam o uso das vias,
estima que 90% das ocorrências sejam causadas por erros ou
infrações cometidas. O estudo do comportamento do usuário das vias
comprova que tal atitude nem sempre é proposital, e acredito na tese,
pois sabemos que nem todos os que vivenciaram um acidente e
conseguiu sair com vida, envolveu no sinistro conhecendo o potencial
do risco, o desconhecimento do fazer correto, pode acontecer, seja
pela dúvida ou pelo achismo, somado a ineficaz política pública de
investimento na educação de transito. Quem não domina o saber, não
acredita na informação publicada nem apreende para si os
ensinamentos fragmentados passados por seus pares que também
sentem dificuldades.
A Educação de Trânsito pode ser conceituada como o estudo do
aprendizado alfabetizador do comportamento do usuário das vias, onde o “TEMPO é VIDA”, capacitando-os com o mínimo de conhecimento necessário para que no trânsito possam, “VER E SEREM VISTOS NO TRÂNSITO”, interagindo com todos os usuários e “ADMINISTRAR AS SURPRESAS DA RELAÇÃO TRÂNSITO ENQUANTO É TEMPO”, “FALAR, OUVIR E INTERPRETAR OS SÍMBOLOS, OS SINAIS E OS GESTOS DO OUTRO”, “CONDUZIR O IRRACIONAL DE FORMA A ASSEGURAR VIDAS”. O conceito é amplo, pois o comportamento do usuário tem sido estudado em relação a uma diversidade
de questões, tais como: as diferenças biológicas que é peculiar ao indivíduo, os fatores internos e externos, cultural, emocional e econômico além de podermos acrescentar, muitas outras questões como a procura de emoções, atribuição, estilo de vida, e carga de trabalho penoso (Sato, 1995; Vittorello, 1998); estresse (Silva e Günther, 1999) e representação social (Silva, 2000; Silva, Strey & Hoffmann, 1999; Souza, 2001). Estas questões indicam a
pluralidade de abordagens que constituem a fundamentação teórica para a pesquisa em Comportamento dos Usuários do Trânsito.
OS ERROS NOS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DOS CONDUTORES
As pesquisas no campo da Relação no Trânsito focalizam erros ou
infrações à lei de trânsito como principais fatores contribuintes de acidentes.
Estas infrações são acometidas muitas vezes pelo desconhecer do fazer
correto, isto é, praticar uma ação erroneamente por simples e perigoso
desconhecimento de como fazer, onde, quando e qual é a precisão que tal
decisão exige, para evitar o envolvimento em um fatídico acidente. Sabemos
da raridade do acidente de um envolvido, pois para cada um, teremos mil
acidentes com dois ou mais envolvidos.
A partir dessas abordagens, uma variedade de fenômenos vem sendo
foco de atenção dos pesquisadores. Através do registro do movimento dos
olhos, foram obtidas informações detalhadas sobre os padrões de procura
visual dos condutores (Theeuwes, 1996); a tomada de decisões dos
condutores tem sido estudada em termos de prioridades, distância de
segurança e mudanças de pista; medidas psicofisiológicas (ex:
eletroencefalograma; eletrocardiograma) e medidas de auto-relato foram
usadas para estudar a carga de trabalho do condutor, relacionada à debilitação
do motorista em conseqüência da direção prolongada, as condições de
trabalho/trabalho penoso (Sato, 1995; Silva & Günther, 1999; Vitorello, 1998),
fadiga e uso de álcool e drogas (Hoffmann, 1998; Hoffmann, Carbonell &
Montoro, 1996a, 1996b; Pinsky, Labouvie, Pandina & Laranjeira, 2000; Ross,
1993), e o efeito do layout da via sobre as expectativas dos condutores (Waar,
Jesserun, Steyvers, Raggatt & Brookhuis, 1995).
Todos esses estudos tornam evidente que o comportamento do condutor
está propenso a erro considerável, pois, na busca visual, significativos tempo e
esforço são gastos em estímulos irrelevantes no meio ambiente da circulação
viária, enquanto estímulos essenciais parecem ser subestimados. Um
fenômeno peculiar de acidente, descrito em registros da polícia, como "olhou,
mas não viu", revela que os condutores não processam a informação essencial
e não agem coerentemente sobre ela, mesmo quando os registros oculares
mostram que a fixação dos olhos nos estímulos visuais realmente ocorreu.
A atenção, em particular a atenção distribuída, parece gerar problemas
para condutores mais velhos (Brouwer, Rothengatter & Van Wolffelaar, 1988;
Machado, 1994; Rozestraten, 1993) e, em geral, para condutores sob pressão
de tempo. Como entre condutores há consideráveis diferenças de desempenho
na condução de veículos, este não é uma característica estável. A diminuição
do desempenho e atenção e o retardo psiconeurológico do indivíduo,
conduzindo um veículo ou caminhando nas vias, devido ao uso de álcool e
drogas tem sido registrada em numerosos estudos, mas decréscimos
resultantes de fadiga são também, sério problema entre condutores
profissionais, em particular àqueles de transporte de longa distância (Silva &
Günther, 1999; Vitorello, 1998).
Além da ocorrência de erros, negligências, imprudências e até mesmo
temor às ações do agente fiscalizador, os condutores se desviam
freqüentemente do desempenho normativo. Deixar de usar o cinto de
segurança, exceder a velocidade, conduzir usando a faixa de deslocamento
rápido com a velocidade baixa; transitar não respeitando a distância de
segmento (colado à traseira de outro veículo), avançar sinal o vermelho, os
veículos leve e médio usam ilegalmente pista destinada aos veículos de maior
porte, e os condutores dos veículos de maior porte não auxiliam os de menor
porte nas manobras, trocam de faixas repentinamente fazendo manobras
perigosas, são as infrações mais freqüentes, e boa parte dos acidentes parece
ser precedida pelo menos por uma destas infrações. Acredito que assim
acontece por uma série de fatores, destaco dois: despreparo para praticar
ações seguras e o mito acreditado por aqueles usuários que deveriam do
medo pela punição – se tem fiscalização na via, Estima-se que somente a
velocidade seja responsável por 30% dos acidentes com vítimas graves e
fatais (Barjonet, 1991).
A propensão para cometer infrações tem sido extensivamente estudada
em relação à atitude, principalmente dentro da estrutura da Teoria da Ação
Racional de Fishbein e Ajzen (1975) e de sua sucessora, a Teoria do
Comportamento Planejado (Ajzen, 2001). A maioria destes estudos focaliza um
leque limitado de infrações: conduzir em alta velocidade veículos em péssimo
estado de conservação, local, horário e condições climáticas desfavoráveis,
dirigir alcoolizado, com fadigas e o não uso do cinto de segurança. Esses
estudos conseguiram estabelecer correlações satisfatórias somente entre
comportamento-atitude e fenômenos motivacionais estáveis. Menos atenção
tem sido dedicada a outros fenômenos sociopsicológicos do comportamento do
condutor, por exemplo, a agressão que se caracteriza, em muitas pesquisas,
como importante causa de acidentes. Da mesma forma, outros desvios de
conduta ainda não foram sistematicamente aplicados ao comportamento do
condutor. Nem o desempenho (erro) nem a motivação (infração) podem ser
identificados como fatores isolados de acidentes, porque ambos parecem
interligados.
Em termos formais, é muito difícil distinguir erro de infração no
comportamento do condutor. Por exemplo, não dar a vez para outro veículo
pode ser atribuído a qualquer um dos fatores, além disso, a conseqüência de
um é agravada pelo outro. Pode-se argumentar que a velocidade por si só não
afeta o risco de acidente, entretanto, é difícil sustentar que as conseqüências
do erro sejam iguais tanto na alta, quanto na baixa velocidade. Portanto,
existem argumentos para considerar erro e infração mais como conceitos
complementares do que opostos.
Os CFC – Centro de Formação de Condutores, tem contribuído na
condução do processo de formação (didático/pedagógico), e na melhoria
qualitativa educacional dos novos condutores de veículos, mas os Órgãos
gestores de trânsito deixam a desejar com seu dever de casa, disciplinam com
a normatização dos processos administrativo de formação do condutor com a
ineficácia da fiscalização e no acompanhamento da execução dos serviços
oferecidos pelos CFC(s). Sabemos que é dever do Órgão Máximo Executivo de
Trânsito, fiscalizar e acompanhar rigorosamente o processo didático
pedagógico incluindo o corpo docente da Escola. Precisamos com urgência de
uma eficaz e competente fiscalização.
OUTRAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O COMPORTAMENTAL
DO CONDUTOR NA RELAÇÃO DE TRÂNSITO.
O conceito de propensão a acidentes foi usado extensivamente para
enfatizar que alguns condutores configuram um risco desproporcional nas vias
e deveriam, portanto, ser impedidos de participar da circulação viária. Com o
aumento de veículos esta posição tornou-se menos sustentável e,
eventualmente, foi deixada de lado. A ênfase mudou de capacidades
relacionadas a desempenho para fatores sociais relacionados à disposição de
correr riscos. Algumas pesquisas apontam que o envolvimento em acidentes
está relacionado ao comportamento social divergente e motivação social, além
de um número de variáveis demográficas. Parker, Manstead, Stradling e
Reason (1992) desenvolveram o Questionário do Comportamento do Motorista
(Driving Behaviour Questionnaire – DBQ) e descobriram que a propensão para
cometer infrações ao código de trânsito está relacionada ao envolvimento em
acidentes. Outros pesquisadores acharam correlações entre os conceitos
procura de sensações e direção arriscada (Heino, Van der Molen & Wilde,
1996).
Ainda que esses estudos não representem uma estrutura aceita pela
comunidade científica em geral, existe razão suficiente para sustentar que o
envolvimento em acidente está relacionado a certos hábitos de direção,
envolvendo comportamento sociocultural divergente para uma participação na
Relação Trânsito Segura e infrações à lei de trânsito, o que é de fácil
entendimento ao observar a resposta de qualquer dos usuários das vias
públicas se perguntado: “VOCE QUER SE ENVOLVER NUM ACIDENTE DE
TRÂNSITO SABENDO DO ALTO RISCO DE PERDER A VIDA?. Todas essas
questões têm incentivado a elaboração de diferentes abordagens para
mudança do comportamento do condutor. A primeira abordagem determina
planejar o layout físico da via, de modo que o comportamento divergente não
seja viável em termos físicos; a segunda sustenta desenvolver estratégias de
execução que punam severamente o comportamento social divergente; a
terceira propõe aumentar a consciência do condutor sobre o risco e diminuir
sua disposição em aceitá-lo, e a quarta abordagem defende identificar
motoristas que erram e remediar seus comportamentos ou, se isto não for
viável, removê-los da circulação viária. Qual destas abordagens seria a mais
eficaz? A escolha por uma abordagem vai depender, em alto grau, das
diferenças culturais de cada país. No Brasil posso afirmar que não é
aconselhável nenhuma das abordagens de Hoffmann, 2002, antes de
colocarmos em prática os Artigos 1º e 74º do Código de Trânsito Brasileiro. Na
Holanda, por exemplo, planejar um ambiente intrinsecamente seguro é
favorecido em relação a outras contramedidas, o cumprimento da lei é
favorecido em países, como Estados Unidos e Austrália e campanhas
informativas no Japão e países do sul europeu têm prioridade sobre as
demais”.
Essas preferências não estão sujeitas a análises convincentes de custobenefício,
nem parece haver a percepção de que uma combinação de
diferentes abordagens possa ser mais eficaz do que focalizar uma única
abordagem. Para o Brasil, com certeza, é preciso haver uma combinação de
contramedidas (Vieira, 1999). Embora seja impossível dar, dentro deste
contexto, uma visão geral de cada uma das abordagens identificadas, existem
duas que garantem discussão posterior: aplicação da lei e formação inicial do
condutor.
As formações iniciais do condutor, que deveria levar à capacidade de
usar o veículo eficientemente e com segurança, dentro dos princípios da
cidadania, começa a ser considerada relevante para a segurança na circulação
viária, mas a Relação de Trânsito não se dá apenas entre os condutores,
sabemos que nessa relação está inserido, o pedestre e os animais, o que
justifica o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a prática um
mega projeto pedagógico de formação continuada, vista que, são constantes
as mudanças de normas no trânsito. Em 1987, Brown, Groeger e Biehl
realizaram uma revisão de estudos sobre avaliação da formação dos
condutores e concluíram não haver evidências de que esta formação contribua
para a segurança. As atividades desenvolvidas na formação do condutor ainda
estão essencialmente voltadas para obter a licença de motorista o mais rápido
possível; ignoram muito do comportamento relevante de segurança e o
desenvolvimento de cidadania. Claramente, este é um campo que poderia se
beneficiar significativamente dos conhecimentos da Psicologia Social.
A PUNIÇÃO AOS QUE AINDA NÃO FOI OPORTUNIZADA A EDUCAÇÃO DE
TRÂNSITO
Os efeitos da aplicação da lei sobre o comportamento dos usuários das
vias precisam estar bem documentados, pois, segundo pesquisas, parece
existir clara relação efeito-dose, ou seja, quanto mais aplicada a lei, maior a
aquiescência a ela. Mas esta relação não é linear, ao contrário, ela tem a forma
de um S ou a forma de uma borboleta descrita na Teoria da Catástrofe (Bindé
& Carneiro, 2001). Esta abordagem revela que aumento ou diminuição de
aplicação da lei, em nível normal ou inferior a ele, não influenciam o
comportamento do condutor (Rothengatter, 1997), A aplicabilidade da Lei com
efeito de normatização na formação e informação do usuário no correto
conhecimento das regras de uso das vias, surtirão resultados positivos para o
País . Também evidencia o resultado dos níveis eficazes de aplicação da lei:
somente se ela for automática, o risco subjetivo de multa ou detenção será
elevado a um nível que influenciará o comportamento, porém, não podemos
distanciar da tese que: a punição com medidas administrativas educam,
previne e são positivas na Socialização da Relação Trânsito, enquanto a
penalidades pecuniária perde a eficácia educativa porque noventa porcento dos
condutores costumazes infratores pertencem a classe média alta, com nível
escolar, médio, universitário e profissionais liberais e o gravame, quando
multados apresenta um condutor para assumir as penalidades, não se
importando com a segurança e a Educação de Trânsito. Somado o poder
aquisitivo com o poder político e o desconhecimento da direção defensiva,
resulta numa adição de alto risco para a segurança de todos os usuários no
trânsito. A automática aplicação da lei mostrou ser tecnicamente eficaz na
redução de acidentes, mas a aceitação de tal sistema é uma questão cultural
com aspectos contraditórios. Por um lado, os condutores resistem à idéia de
que sua liberdade está para ser restringida; por outro lado, aplaudem quando
o comportamento irresponsável dos outros condutores é detectado e punido
(Hoffmann, 1997; Rothengatter & Harper, 1991); na verdade, um dilema com
características psicológicas.
Outra questão relevante é que a automática aplicação da lei realmente
afeta o comportamento mas, pelo menos inicialmente, não afeta atitudes
relacionadas a um determinado comportamento, como se constatou em
estudos relativos a dirigir alcoolizado. Somente quando a aplicação da lei
persiste por um período de anos e está ligada a maciças campanhas na mídia,
a atitude realmente se adaptam àquele comportamento exigido por lei. Este
mecanismo, que é extremamente importante para ser eficaz a aplicação da lei
de trânsito, parece ainda mal compreendido.
A ocorrência de infrações de trânsito não é uma distribuição Poisson
(Michiels & Schneider, 1984); tanto altos quanto baixos níveis de infrações são
mais freqüentes do que o esperado teoricamente. Em outras palavras, alguns
condutores persistem em cometer infrações apesar do nível de aplicação da lei.
Assim, seria razoável que estes condutores tivessem que enfrentar as
conseqüências das suas infrações. Contudo, na maioria dos países esta não é a
solução, pois, contanto que as multas sejam pagas, é viável manter o mesmo
nível de comportamento divergente.
No Brasil, as primeiras leis de trânsito já previam uma intervenção em
acidentados e infratores (Hoffmann, 1994; 1995), mas foi com o Código de
Trânsito Brasileiro (1997) que, a exemplo de vários países como França e
Alemanha, introduziu o sistema de pontos negativos para registrar as infrações
à lei de trânsito. Este registro prevê a suspensão do direito de dirigir e o
recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), quando o condutor
atingir 20 pontos em infrações (Lei 9.503/1997, art. 259). Tal sistema tem
sido usado para desenvolver medidas intervencionistas àqueles condutores que
estão acima do limite de pontos deméritos; legalmente, são obrigados a
participar de cursos específicos antes que a eles seja concedido novamente o
direito para dirigir, ou seja, entregar a sua CNH. Em alguns casos, sessões de
terapia individual ou de grupo são obrigatórias, ou a CNH não é renovada até
que uma avaliação psicológica indique que é seguro fazê-lo (Hoffmann, 1995;
1997; 1998).
A real dificuldade da efetiva Educação de Trânsito no Brasil, é a relação
entre a escassa vontade política dos mandatários regionais, o potencial da
fonte arrecadadora das infrações/Gestores dos órgãos de trânsito
compromissados com as bandeiras econômica-polítco-partidárias. O que
alimenta o jogo do empurra, o faz de conta, promovendo o caos, a carnificina,
o desespero das famílias enlutadas do trânsito, a mutilação e a insegurança
dos usuários somadas a elevação do custo Brasil, considerando que um
simples acidente provocando apenas danos materiais de dois veículos
populares com até cinco anos de uso, o prejuízo da Nação fica em torno de
vinte mil reais. Existe uma dificuldade em obtermos exatamente a proporção
dos danos materiais para aproximarmos de um real valor de tais prejuízos, os
registros são muito superficiais ao acidente ou à atribuição de causas.
Descrições de registros policiais, tais como: "o carro bateu num poste" ou "o
motorista perdeu o controle sobre o veículo" são comuns, mas limitados para
análise. Isto demonstra o despreparo e o desinteresse dos Gestores e seus
Agentes em qualificar e quantificar a Educação de Trânsito como o único
instrumento de desenvolvimento políticosócioeconomico do Brasil.
Planejamento da via e do veículo que favorecem a ocorrência de
acidentes, eles trazem pouco discernimento dos processos se envolvidos não
tenham uma formação para usar adequadamente os recursos com segurança.
Além disso, são extremamente dispendiosas, as ações educativas, paliativas,
temporais e regionalizadas, razão pela qual justifica a implantação da disciplina
Educação de Trânsito na grade curricular em todos os níveis escolares
conforme o Artigo 74 do CTB. Inserindo a disciplina Educação de Trânsito na
grade curricular da creche ao terceiro grau, e em todos os cursos
profissionalizantes, provocará uma considerável queda: na arrecadação das
infrações de trânsito, no número de vítimas dos acidentes de trânsito, e uma
significativa melhora na qualidade de vida e no bem estar social,
concomitantemente uma vultuosa queda nos gastos públicos com despesas
hospitalares e pensão para os dependentes, desaceleração do CUSTO BRASIL.
A Educação de Trânsito promove a segurança do usuário na Relação de
Trânsito. As atividades desenvolvidas na formação do condutor ainda estão
essencialmente voltadas para obter a licença de motorista o mais rápido
possível; ignoram muito do comportamento relevante de segurança e o
desenvolvimento de cidadania. Claramente, este é um campo que poderia se
beneficiar significativamente dos conhecimentos passados ao usuário da creche
ao terceiro grau, lembrando que na Relação Trânsito, os usuários administram
surpresas cotidianamente, daí a justificativa de oportunizar uma formação
continuada.
Conclusão
Em termos de pesquisa, a Educação de Trânsito é um tema
extremamente surpreendente: no microcosmo do comportamento humano e
na circulação viária, a falta de educação dos usuários pedestres e condutores a
força bruta das ferragens e a pressão dos fiscais se encontram. Uma vez que a
educação do condutor envolve desempenho, atitude, motivação, personalidade
e muitos outros fenômenos, o desafio multidisciplinar é desenvolver modelos e
teorias que englobem todos estes processos visando sua aplicabilidade para
diminuir danos ao convívio social no trânsito.
A pesquisa do comportamento conforme o grau do conhecimento de
todos os usuários permite buscar a verdade, em sentido cultural, de algo que
nunca se atinge totalmente, mas é para este processo que o conhecimento
humano se orienta. Portanto, a preocupação com a segurança do usuário do
trânsito deverá fomentar uma permanente preocupação com o bem maior: A
VIDA.
Hoje, a Relação Trânsito no Brasil, é uma Relação de Guerra Civil
Urbana. Dado a tipo de comportamento dos usuários desinformados,
despreparados, habilitados para dirigir um veículo e inabilitados para o
convívio social no trânsito. Então o que fazer para mudar este quadro?
Podemos e devemos SOCIALIZAR A RELAÇÃO TRÂNSITO, utilizando a arte de EDUCAR.
Como estabelecer uma relação com o outro no trânsito, se não houver
mútua compreensão e interpretação da comunicação?
A compreensão e interpretação das Normas de trânsito que regem a
conduta e as ações dos usuários, do diálogo é de vital importância para a Segurança de todos.
DESMILITARIZAÇÃO DO TRÂNSITO
Sem Educação será impossível atingir a conscientização
A carnificina continua, só um milagre para fazer os gestores públicos
perceberem que a relação trânsito é uma relação civil e tem que ser administrada
como tal. O artigo 23 do CTB vetou a militarização da gestão, ordenação e fiscalização
do trânsito, justamente para que as relações se estabeleçam harmoniosamente dado
o diferencial na abordagem do possível usuário infrator no trânsito.
Criam-se as guardas municipais e entregam aos coronéis imaginando que estes
com sua vasta experiência da caserna numa abordagem brutal necessária à
manutenção da ordem pública, estendem com total autoridade para seus comandados
civis da guarda municipal, promovendo a injustiça, a desautorização do agente
fiscalizador e humilhando-o diante do infrator para os usuários, o caos, o desespero o
enfrentamento que só aumenta o stress dos envolvidos, que muitas das vezes
terminam em tragédias com maiores proporções.
Há poucos dias presenciei mais um caso do desrespeito à legislação de trânsito
e a sensação de incapacidade e despreparo de mando que só humilhou o Agente de
Trânsito, tirando-lhe as prerrogativas do exercício do direito do cargo e da função
pública. Em síntese, um veículo estacionado não portava em seu interior o cartão de
estacionamento, sendo obrigatório para todos, o agente após várias tentativas de
encontrar o proprietário, tomou as medidas legais cabíveis, com a chegada do
guincho, assim que iniciou a retirada do veículo, apareceu o proprietário e determinou
“Agente desse meu veículo eu sou promotor de justiça” o agente cumprindo o que
determina a lei continuou sua atuação até que chegou a determinação do seu superior
que não guinchasse o veículo e retirasse toda guarnição daquele setor imediatamente.
Este tipo de gestão além de não contribuir para a educação de trânsito, incentiva os
comandados a praticarem dois pesos e duas medidas na rotina de seu trabalho.
Assim, não vamos mudar o comportamento do usuário das vias públicas enquanto o
comando da fiscalização for exercido por mentes bem treinadas e preparadas para
ações que exige tal comportamento abordagem dos fora da lei, os marginais, que não
é o caso da relação trânsito onde a relação entre os usuários e autoridade inicia e
termina com a diplomacia da gentileza, do respeito ao cidadão, daí, o perigo decorre
onde treinamos e diplomamos o Agente para atuar no campo sim, mas não para atuar
no campo da civilidade e sim da selvageria do mundo do crime.
Mas, mesmo quando há vontade políticos, muitos dos programas de incentivo
esbarram na cultura do individualismo dos usuários do sistema de trânsito. Quem
trabalha na área de trânsito depara-se freqüentemente com queixas do tipo: "Este
novo Código tem vários problemas"; "estas multas são absurdas", "placas de
sinalização erradas ou depredadas", "pardais (controladores de velocidade)
interrompendo a fluidez do tráfego", "guardas corruptos", "taxistas malucos",
"pedestres ignorantes", etc… Como é difícil ouvirmos algo diferente de queixas
individuais quando o assunto é trânsito. Parece que as pessoas têm dificuldades de
perceberem que nesta área, o comportamento coletivo (segurança, fluidez de tráfego)
é muito mais importante do que necessidades individuais (acesso facilitado,
conveniências pessoais), já que o objetivo maior do sistema de trânsito é a segurança
viária e a preservação da vida.
As pessoas deixam para sair mais tarde de casa (porque podem dormir mais
um pouco) e querem exigir fluidez num espaço compartilhado onde outros também
decidiram dormir até mais tarde. Reclamam quando o taxista não quer estacionar em
local proibido (que facilita o seu acesso), mas ficam “loucas” quando alguém estaciona
em frente da sua garagem. Passam o sinal vermelho (por medo de assalto), mas
ficam indignadas quando alguém atropela seu parente, ultrapassando o sinal. Dirigem
alcoolizadas (porque se sentem em perfeitas condições), mas chamam de assassino
do volante àquele que mata embriagado um amigo seu. Reclamam dos controles de
velocidade, mas criticam o sistema de saúde pela falta de leitos nos hospitais
públicos. Atendem o celular (quando poderiam deixá-lo desligados), mas criticam
diariamente as "distrações" de outros motoristas ao volante. Sentem os limites de
velocidade, multas pesadas e as leis, como se fossem criadas porque alguém resolveu
colocar obstáculos na vida de pacatos cidadãos, sem perceberem que geralmente são
frutos de estudos aprofundados e discussões amplas em busca de segurança, fluidez
de tráfego, preocupações ecológicas, entre outras.
Por que é tão difícil abdicarmos de mordomias individuais em prol de um bem
maior, em favor de necessidades comunitárias, em respeito à vida do nosso
semelhante? Parece tão difícil entender que nas vias públicas o espaço
necessariamente tem que ser compartilhado. E ainda mais, tem que ser
compartilhando com todos, sejam eles pobres ou ricos, brancos ou pretos, cultos ou
analfabetos, pedestres ou motoristas, ciclistas ou motoristas profissionais, jovens ou
idosos, etc.
Visto desta forma, o trânsito nos parece um ótimo espaço para o
exercício da democracia e da cidadania, palavras tão utilizadas em nossos
discursos, mas tão pouco exercitadas no nosso dia a dia. Falamos da cidadania
no café da manhã em família, mas minutos depois quando colocamos "o pé
para fora de casa" começamos imediatamente a colocar os nossos direitos
acima dos demais cidadãos. E aí, a culpa é do governo? Será que é o governo
é que tem que ensinar ao meu filho que o direito dele termina quando começa
o do outro? Neste sentido, a busca pela qualidade no trânsito deve iniciar-se
no resgate ao respeito, consciência da cidadania e educação de base. Passa
necessariamente pela substituição do EU pelo:
SOCIALIZANDO A RELAÇÃO TRÂNSITO
O Brasil é realmente um país, abençoado por Deus e bonito por natureza,
um ufanismo cantado em letras e versus do poeta Jorge Ben Jhor. Não há intenção de
criticar a brasilidade o otimismo do poeta, de levar aos quatros cantos da terra a
credibilidade como um convite ao mundo para conhecer e investir com garantias de
lucratividade, a imagem positiva de um povo bonito, hordeiro e trabalhador,
possuidores de um solo fértil onde tudo que planta dá, e os encantos das belezas
naturais do Brasil, mesmo sabendo que é um dever de todos os cidadãos falar bem da
pátria amada mãe gentil, reconhecemos a grandeza destes brasileiros que usam seus
talentos e fama, em prol da Nação Brasileira. O que passou, e os brasileiros não
viram, foi o inadequado uso dos frutos (investimentos) colhidos pelos governantes
brasileiros, acreditando que iriam continuar colhendo àquilo que nunca plantaram:
RESPEITO, DIGNIDADE, PROBIDADE, ZELO PELO BEM PÚBLICO. Infelizmente, nos
últimos trinta e sete anos a administração da "COISA DE TODOS" que denominamos
de "COISA PÚBLICA", é tratada como herança de um grupo para outro, mesmo
dizendo que são adversários (IDEOLOGIA POLÍTICA) no conjunto de idéias. Muda a
mão, o chicote é o mesmo. Felizmente, mesmo aos passos de uma tartaruga, há uma
luz no fundo buraco, confirmando o que nossos pais nos ensinaram: A ESPERANÇA É
A ÚLTIMA QUE MORRE, acredito que esta longa vida da Esperança pode passar da
ficção para realidade, como disse o imortal "André Luiz" – "PODE ENGANAR PARTE DO
POVO, PARTE DO TEMPO; MAS JAMAIS CONSEGUIRÃO ENGANAR TODO POVO A TODO TEMPO", enquanto conseguem enganar parte do povo, pagaremos o preço, com vidas inocentes (vitimas de bala perdida, bravos policiais doado suas vidas combatendo o mal, recém-nascidos na lixeira adultos nas calçadas e viadutos, aluno comandando com autoridade máxima da escola, estupro de crianças dentro e fora das
Igrejas, filhos decidindo que os pais devem morrer, arquitetando e executando com requinte de crueldade o assassinato dos que lhes deram a vida, Igreja contra Igreja na disputa econômica da fé, em resumo: São trinta e sete anos de práticas de um
modelo sócio-político-econômico-religioso lucrativo para dois porcento dos brasileiros na corrida pela salvação de não perder o poder, mesmo que tal comportamento resulta no quanto pior, melhor. Àquela pequenina luz acesa no fundo do túnel, existe
sim, porque não vamos desistir, perdemos batalhas e com a derrota aprenderemos e venceremos a Guerra. Os grandes pensadores do século XVII, já previam a atualidade, mas não morreram para a História, seus ideais perpetuam nas mentes dos
pensadores da atualidade, semeando sementes em solo fértil para colher frutos de qualidade, o processo é lento, porém, contínuo, eles não perdem por esperar.




2 Comentários
Prezado Leandro!
Como somente agora tive a oportunidade de abrir este poste, me deparei com um epigrafe de fatos e relatos da maior importância. Comungo com voce que toda retórica advinda das enormes mesas de vidro, com tapetes vermelhos ao chão, ar condicionados a todo custo, secretárias na oferenda de sucos prefernciais e com hora certa, e que pelas mãos do "faz de conta" , onde estes senhores reinam por estar assinando diretrizes para o Trânsito, apresentando como um verdadeiro portal solucionático da segurança pública, é com certeza um presencial de longos anos, pelo que me parece um absolutismo sem precedentes. Acredito que no Brasil, há muitos que veêm, porém não conseguem enxergar que as potencialidades legais absorvidas com naturalidade são mais eficazes do que as impostas, e com certeza a resposta esta no abrir caminhos, que é efetivação da Educação para o Trânsito, mas para que isso ocorra muitos terão que em primeiro DESAPRENDER, para vir APRENDER e serem multiplicadores, assumindo verdadeiramente o papel na sociedade de Construtores de pessoas e de consciências para um Trânsito mais seguro, justo, fraterno, solidário. A ação deve em todos os seus parâmetros sem continuada, conforme aduz o C.T.B. sobre a Educação para o Trânsito. Obrigado por voce mostrar sua iminente preocupação, visto que voce tem esse olhar expresso sobre a realidade qual estamos inseridos. Atenciosamente, Prof. Pedro Cézar Ricciardi. 20/04/2012
Prezado Leandro!
Como somente agora tive a oportunidade de abrir este poste, me deparei com um epigrafe de fatos e relatos da maior importância. Comungo com voce que toda retórica advinda das enormes mesas de vidro, com tapetes vermelhos ao chão, ar condicionados a todo custo, secretárias na oferenda de sucos prefernciais e com hora certa, e que pelas mãos do "faz de conta" , onde estes senhores reinam por estar assinando diretrizes para o Trânsito, apresentando como um verdadeiro portal solucionático da segurança pública, é com certeza um presencial de longos anos, pelo que me parece um absolutismo sem precedentes. Acredito que no Brasil, há muitos que veêm, porém não conseguem enxergar que as potencialidades legais absorvidas com naturalidade são mais eficazes do que as impostas, e com certeza a resposta esta no abrir caminhos, que é efetivação da Educação para o Trânsito, mas para que isso ocorra muitos terão que em primeiro DESAPRENDER, para vir APRENDER e serem multiplicadores, assumindo verdadeiramente o papel na sociedade de Construtores de pessoas e de consciências para um Trânsito mais seguro, justo, fraterno, solidário. A ação deve em todos os seus parâmetros SER continuada, conforme aduz o C.T.B. sobre a Educação para o Trânsito. Obrigado por voce mostrar sua iminente preocupação, visto que voce tem esse olhar expresso sobre a realidade qual estamos inseridos. Atenciosamente, Prof. Pedro Cézar Ricciardi. 20/04/2012